Pare por um instante e relembre todos os movimentos que você fez hoje. Você acordou, se levantou da cama, caminhou pela casa, se sentou e levantou diversas vezes. Para executar essas tarefas cotidianas, diversas articulações precisaram estar em plena atividade.

Articulações são tão importantes quanto os ossos e músculos, que nos dão sustentação e permitem os movimentos. Fazendo uma analogia, nossas articulações móveis são como dobradiças de uma porta, funcionando para facilitar os movimentos e impedir o contato de uma madeira com a outra. Com o passar do tempo, ou se muito utilizadas, as dobradiças enferrujam ou perdem a lubrificação, rangendo e não executando a sua função de maneira correta.

O mesmo pode ocorrer com as nossas articulações durante o envelhecimento natural e por razões multifatoriais, como o desgaste excessivo ocasionado pelo movimento repetido, inflamações crônicas, fraqueza muscular, fator genético, algum trauma físico importante, exercícios de impacto, sobrepeso ou obesidade.

Estima-se que 30 a 50% dos adultos a partir dos 65 anos tenham osteoartrite, também chamada de osteoartrose ou artrose, caracterizada pelo “desgaste” das articulações.

Mas não se engane, a artrose não faz parte somente do estágio mais avançado da vida. As propriedades mecânicas da cartilagem articular atingem seu pico por volta dos 30 anos, e a partir daí, se deterioram progressivamente, principalmente na região do joelho e quadris.

Os atletas ou pessoas muito ativas, que submetem suas articulações à força e ao impacto, estão mais suscetíveis ao desenvolvimento precoce do desgaste articular.

 

Reconstruindo as articulações desgastadas

 

O tratamento da artrose é frequentemente feito com medicamentos (principalmente os anti-inflamatórios não-esteroides – AINEs – como aspirina ou ibuprofeno, ou até corticoides) que aliviam a dor e o desconforto relatado pelos pacientes, mas que deveriam ser usados com moderação. Ou seja, esses medicamentos aliviam a dor, mas não tratam a articulação, e quando usados rotineiramente podem causar efeitos colaterais. Também, ao interromper o seu uso, o paciente volta a ter dores e sofrer com uma limitada mobilidade.

Opções integrativas, como a fisioterapia, acupuntura, a perda de peso, o uso do gelo, mudanças na dieta, a natação ou exercícios físicos aquáticos e suplementos mostram positivas melhoras. Na área da suplementação, destacamos que recentes estudos clínicos confirmam que o colágeno tipo II tem produzido alívio significativo da dor, retardando a progressão da degeneração e também reduzindo a inflamação local.

O colágeno é a proteína mais abundante no nosso corpo e tem um papel estrutural fundamental, contribuindo para a arquitetura molecular, para as propriedades mecânicas e formas dos tecidos do organismo.

De maneira resumida, as articulações são formadas por cartilagem, líquido sinovial e uma cápsula articular que protege e reveste toda essa estrutura. A cartilagem presente na extremidade do osso é constituída de aproximadamente 60% de colágeno tipo II e irá funcionar como um amortecedor evitando o contato e atrito entre os ossos.

 

Regeneração articular através de peptídeos de colágenos


Com os anos, os níveis ideais de colágeno que nossos corpos produzem naturalmente começam a reduzir. As fibras de colágeno se quebram e não mais se regeneram, dando aquela aparência de pele flácida, envelhecida, ou sentindo também o efeito nas articulações.  

Uma forma de ajudar a regeneração do colágeno do corpo é fornecer seus precursores para que o corpo produza o que foi desgastado.

A suplementação de colágeno apresenta um alto valor nutricional, pois fornece aminoácidos que não estão presentes em proteínas normalmente ingeridas como as do leite, carne, frango, peixe e vegetais.

 Cientistas estão focando seus estudos no potencial do uso de peptídeos de colágeno no manejo da artrose, no intuito de não apenas cessar a dor e inflamação do paciente, mas melhorar as condições de mobilidade e qualidade de vida. Em diversas pesquisas, pode-se observar que a ingestão de peptídeos de colágeno é capaz de reduzir a percepção de dor relatada, auxiliar na síntese de colágeno e melhorar a rotina do paciente. No caso da artrose, esta suplementação mostra-se promissora não apenas como tratamento sintomático, mas também para reverter o quadro de degeneração e auxiliar na prevenção.

 

Regeneração articular por estímulo imunológico


Diferentemente da suplementação de peptídeos de colágeno, que fornece os aminoácidos para que o corpo reconstrua seu colágeno próprio, o fornecimento direto do colágeno tipo II na forma não desnaturada (quando sua molécula está intacta e sem quebras) tem uma ação no sistema imune. O colágeno tipo II não desnaturado possui estrutura tridimensional íntegra. Utilizando-se desta estrutura não desnaturada, comprovou-se que podemos "educar" nosso sistema imune para ignorar o colágeno tipo II das articulações e evitar a secreção de colagenases (enzimas que quebram as ligações peptídicas do colágeno). Como sua ação é imunológica, funciona com uma pequena dose diária de 20 a 40mg, e esta tolerância oral ao colágeno suprime poderosamente a inflamação e degeneração das articulações.

Diversos estudos vêm mostrando os benefícios do uso de colágeno tipo II não desnaturado em pacientes portadores de artrose, artrite reumatoide e até mesmo naqueles sem diagnóstico dessas patologias, mas que sentem dor articular após realizar um treino.